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Domingo, 30 de Abril de 2006

A VIDA É UM DOM E UMA TAREFA

****************************************

 

O debate sobre a vida humana surge sempre ciclicamente nas sociedades, nos países, nos estados um pouco em fidelidade com as agendas dos partidos, das organizações e particularmente em função do que convém politicamente a quem governa, neste ou naquele momento, os povos.

Em Portugal, esta estratégia é também adoptada! Se num dado momento já se conseguiu impor determinada legislação mais ou menos permissiva, virá outro momento em que se pretende ir mais além!

De forma muito simples e objectiva podemos sintetizar que uns defendem que não é legítimo intervir sobre a vida de um ser humano, desde o momento da concepção até ao momento da morte, e outros consideram que essa intervenção é legítima.

Os primeiros condenam, por exemplo, o aborto, a eutanásia e outras formas de atropelo à vida humana. Os segundos aceitando-os, tentam manipular as mentes menos esclarecidas com argumentos subtis de pseudo dignidade humana.

Já se vai tornando comum associar quer uma posição quer outra a determinadas filosofias político-religiosas.

Porém, entendemos que a vida, nas suas múltiplas matizes, é um bem e um dom de valor incomensurável que não devia nunca ser entendida como algo manipulável, na sua essência.

Torna-se necessário que haja uma linha clara, nítida, que separe a vida da morte. Na transposição dessa linha não poderá nunca existir a intervenção de alguém!

Ora os que defendem a eutanásia e o aborto estão a admitir que a linha que protege a vida não é nítida, que o início da vida e o momento da morte são discutíveis, que um ser com menos de 12 semanas (e com 12 S e 1 D já será?!) não pode ser considerado um ser humano e que um homem ainda vivo pode já «merecer» estar morto - sendo admissível, por isso, o golpe de misericórdia.

Esta aceitação da ideia de que à volta da vida não deve haver uma linha inviolável mas uma nebulosa, e que são legítimas as intervenções nessa zona no sentido de interromper a vida ou apressar a morte, é um passo terrivelmente perigoso.

Porque, além da eutanásia e do aborto, abre o campo a outras enormidades como a manipulação genética sem regras e até a pena de morte.

Em teoria pode-se até admitir como lógicos pensamentos ainda mais tenebrosos como este: - se uma pessoa deixou de trabalhar e de ser produtiva, se se tornou um estorvo para os seus familiares, ou para a sociedade, porquê mantê-la viva?

Se a eutanásia é permitida, por que não alargar esse conceito aos velhos que só representam encargos para a sociedade e um peso insuportável para os parentes?

Aceitar a manipulação da vida é um risco tremendo.

Aqueles que, por razões ideológicas ou porque consideram que isso é «moderno», defendem «causas» como a eutanásia e o aborto, deveriam pensar um pouco mais a fundo até onde isso nos poderá levar.

Está então justificada toda e qualquer iniciativa tendente a criar modos de associação de pessoas, de cidadãos defensores da vida que orientando-se estatutariamente por uma postura não-confessional, pretendam,de múltiplas formas, bater-se intransigentemente contra a manipulação desta dádiva maior que é a vida e se declarem apoiá-la quando se detectarem acções para a aviltar!

JD

 

 

 

sinto-me:
publicado por adavviseu às 01:20

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6 comentários:
De Fernando a 1 de Maio de 2006 às 10:54
Li este artigo! Gostei! è importante q a sociedade comece a despertar para tempos que surgirão em breve. A vida é algo tão importante que n deve ser banalizada! Toda ela e nas multiplas situações! Seremos mais Homens quando conseguirmos vivê-la com dignidade e não cruzarmos os braços perante as agressões constantes a que está submetida!
De José Costa a 6 de Maio de 2006 às 01:00
Vida!
A tua, a minha, a deles…
A que possuímos para ser vivida
Cuidada e ornada com a luz maior
Sem atropelos e com dignidade
Esse bem supremo em amor
Que surge do nada, erguida
Mas que num instante é tudo!
Mesmo ainda insensível,
No mínimo vital mudo
Encerra o máximo e o futuro!
De Fabrizio Bordin a 6 de Maio de 2006 às 09:27
Editorial frei Dito 14 de Maio

De 14 a 21 de Maio celebra-se em todo o país, a Semana da Vida, centrada no tema “Família, Amor e Vida”.
Na mensagem publicada para o efeito a Comissão Episcopal do Laicado e Família (CELF) escreve: «Sendo a Família o espaço privilegiado para se viver, celebrar, transmitir e educar para o dom e o valor da vida, convidamos as famílias cristãs e todos os homens e mulheres de boa vontade a darem as mãos e a congregarem esforços, para que, juntos, fomentem a cultura da vida».
A Família, explica a mensagem, «reclama o acolhimento alegre e responsável da vida que nasce, o respeito e a defesa de cada existência humana, o cuidado por quem sofre ou passa necessidade, a solidariedade com os idosos e os doentes, a qualidade de vida, a responsabilidade com a segurança na estrada e no trabalho».
Os Bispos concluem com um apelo para que a Semana da Vida «seja um espaço privilegiado para anunciar, debater e esclarecer as pessoas sobre a grandeza e o valor da vida, dizendo não à cultura da morte, à indiferença ou menor apreço pelos mais débeis».
A nível local, desde o mês de Janeiro, um grupo de leigos, entre os quais médicos, professores, advogados, psicólogos, mães e pais, reflectiram sobre o direito à vida, qual primeiro e fundamental direito humano, e que a defesa da vida, em todo o seu curso, é uma tarefa exaltante, porque no confronto entre cultura da vida e cultura da morte, decide-se o rosto da sociedade humana deste terceiro Milénio.
O desejo de dar vida a uma Associação de Defesa e Apoio à Vida (ADAV), no nosso Distrito e Diocese de Viseu, tornar-se-á realidade no dia 15 de Maio, quando será feita a escritura, serão aprovados os estatutos e apresentada a Associação numa conferência de imprensa.
É uma semente de vida, entre muitas outras, que é lançada para criar uma cultura de tutela da vida de quem é mais débil e indefeso.
frei fabrizio b.
De Ângela Almeida a 6 de Maio de 2006 às 18:50

A vida é um dom e uma tarefa.
Cada um de nós deve empenhar-se por dignificar a vida de todos.
A vida é dom de Deus .
Unidos pela VIDA e na VIDA para sempre.
De Cristina Costa a 14 de Maio de 2006 às 18:13
Tudo o que se relaciona com a Vida Humana não é uma lei qualquer.
Dizer "Não" ao Aborto ultrapassa as fronteiras do foro religioso... É
muito mais abrangente... É uma decisão intrinsecamente relacionada com a Lei
Natural da Vida. Há direitos adquiridos que não podem ser negados. Ninguém
se faz gerar e ninguém resolve nascer, mas todos têm o direito à vida. Até
mesmo a criança que ainda não nasceu.
Vivemos numa sociedade repleta de contradições. Por um lado defende valores
como a dignidade da pessoa humana, a justiça, a paz... Todavia, ao mesmo
tempo, é capaz de defender teorias que desprezam a vida humana no seu estado
mais frágil.
Por vezes, é totalmente impossível compreender a incoerência, a contradição
radical existente na forma de preconizar e de apregoar determinadas verdades.
O Homem faz grandes campanhas a favor da vida animal, luta pela preservação da
Fauna e da Flora, esclarece a sociedade sobre as terríveis atrocidades que
sofrem indefesos animais, muitos dos quais em vias de extinção. Mas,
simultaneamente, o Homem, animal racional, defende leis que violam a própria
Vida Humana.
Actualmente, em Portugal, suspendem-se escolas por falta de alunos, fecham-se
maternidades porque não nascem crianças!!!! O governo preocupado com a baixa
taxa de natalidade, pretende implementar medidas de incentivo para que os
casais tenham mais filhos!!! Sinceramente, o que se passa? Diante de uma
realidade como esta, por que razões alguns ainda continuam a defender a
cultura de Morte?
A solução para todas estas dificuldades é só uma: A VIDA!!!
É preciso reflectir, pensar, adoptar atitudes concretas, esclarecer a
Sociedade, a Assembleia da República, os Parlamentares... todos Nós.
Ana Costa
De Lurdes Albuquerque a 17 de Maio de 2006 às 11:57
"O sonho comanda a vida... O mundo pula e avança nas mãos de uma criança..."

É bom ver que podemos ainda ter esperança, que há uma brecha que pode abrir-se neste mundo cheio de muros que dividem e afastam. Se não formos nós a cuidar de nós quem será?

A ciência evolui, cuida de nós para sermos belos, elegantes, saudáveis, para termos casas belas, jardins bem cuidados, comidas sofisticadas, roupas quentes e confortáveis. Mas ao mesmo tempo acha que só uma pequena maioria pode usufruir dessas regalias. Porque na realidade é issso que acontece, poucos dormem em lençois de seda, mas muitos dormem debaixo da ponte ou em casas degradadas. Temos que decidir se construímos o futuro ou se o fazemos desaparecer. Temos que ordenar prioridades, temos que olhar à volta e ver o que acontece, não podemos fechar os olhos à realidade. Promove-se através dos estados, das associações, das organizações nacionais e internacionais, das escolas, a preservação da natureza, das espécies vegetais e animais.
E o homem?
Esqueceram-se dele?
Quem o promove?
Diz-se que a Europa está em crise, velha e decadente. Que no mundo cada vez mais uma minoria possui um alto nivel de vida e a maioria da população vive abaixo do nivel de subsistência .
De que estamos à espera?
De que venham os extra-terrestres salvar a terra?
É que estamos a transformar a nossa sociedade naquilo que já Hitler queria fazer, usar a ciência para desenvolver uma raça humana superior que domine a terra, erradicando os fracos , os pobres e os doentes.
Não é o que estamos a fazer?
Dou um exemplo: Um casal tem um filho, não pode dar-lhe irmãos porque não tem tempo, tem pais idosos e doentes, não pode cuidar deles porque não tem tempo. Aquele filho cresce sem criar laços familiares, de solidariedade e entre ajuda. Os velhos são chatos, as crianças custam dinheiro e todos dão muito trabalho e a vida é para ser vivida ou então é para ganhar dinheiro para ter muito e ser como o vizinho.
Se olhamos os embriões como uma doença, os deficientes como uma anormalidade a erradicar, os idosos como um estorvo e os doentes como leprosos, como queremos mostrar aos nosso filhos que devemos ser solidários, amigos...
Como é que mais tarde estas crianças de hoje, adultos de amanhã vão defender a vida?

Será que o homem se esqueceu de si mesmo?
Será que só no futuro vamos levantar as mão ao alto e dizer:
O que fizemos?
Será que não vale a pena olhar hoje, reflectir hoje e inflectir o caminho?
Ainda iremos a tempo?
A associação agora criada é um sinal de esperança, é um sinal de que alguém reflectiu e decidiu abrir uma brecha no muro (hoje há muros que caem e muros que se levantam, temos que lutar para os derrubar)
Nós homens não fazemos nada de transcendednte, nada de heróico, nada do "outro mundo", ao defender, promover e valorizar a vida. O povo costuma dizer "quem parte e reparte e não fica com a melhor parte ou.. é burro...ou não tem arte.."
É o que o homem está a fazer, defende uma e´spécie animal com todas as suas forças, desenvolve a ciência para sermos saudáveis, termos uma vida mais longa e mais confortável e ao mesmo tempo não valoriza o idoso, afasta-o da vida, desvaloriza a criança ainda não nascida, tornando-a um objecto que se quer ter ou não ter, mata pela coisa mais insignificante...
O homem ou é burro ou não tem arte, porque é ele próprio que está em causa e sem o homem não faz sentido a existência do mundo.

Unidos na vida e pela vida.

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