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Quinta-feira, 25 de Janeiro de 2007

Um testemunho... o meu! (Parte II)

...

                                                        (continuação)

Na manhã seguinte levantaram-me bem cedo a uma farmácia onde se sabia que tentavam parar a gravidez, por injecções. Mas, graças a Deus, já não faziam mais isso.

Passados alguns dias fui pressionada pela minha mãe para ir visitar uma mulher. Não refiro onde, pois entendo inadequado. E lá, combinaram o meu futuro. Iria lá fazer o aborto... Na altura eu não sabia, pois elas ficaram num quarto à parte, conversando. Eu ficara na sala.

À saída, a minha mãe perguntara:

- Mas diga-me, nada de mal vai acontecer-lhe, pois não? Ela poderá ter mais filhos?

A resposta veio de imediato:

- Sim, tudo ficará como dantes! Não se preocupe!

Regressámos a casa em absoluto silêncio. Já em casa, a minha mãe disse-me:

- No dia 6 de Janeiro, tu vais a esta mulher e vais tirar essa criança! Depois voltaremos a falar! Até lá não há mais conversa!

 Fiquei assustadíssima! Minha mãe nem ouviu a minha reacção. Dissera-lhe:

Mãe, mas eu estou disposta a ir trabalhar e ficar com a criança! O pai não a quer, mas eu sim!

Lágrimas e mais lágrimas! Ninguém imagina as lágrimas que derramei...

Só me vinha à memória a fuga! Sair de casa! Mas… pensava: - “Vou para onde? Farei o quê? Se entretanto não tenho emprego? Não tenho apoio de ninguém!”

Senti-me só e num Mundo que se diz ser pequeno e que, de repente, se tornou enorme para mim...

Dia 6 Janeiro chegara.

Senti-me incapaz de andar! As minhas passadas eram curtas e lentas. Tal deslocação de caracol! Eu não queria lá chegar, mas mais cedo ou tarde chegaria. Só pensava o tempo inteiro: -“Que vou fazer? … Se vivesse uma mão amiga, era para ela que correria. Mas nem isso tinha…E ia fazer mal a uma criança que não tinha culpa nenhuma!

Ao chegar e entrar na casa, toda eu tremia por todo o canto! A senhora era uma mulher muito meiga…muito carinhosa e compreensiva comigo. Mandou-me despir e deitar na maca e examinou-me.

De seguida, deu-me uma série de comprimidos! Ainda hoje não sei quais. Eu não estava em mim! Se fossem também para eu morrer, eu tinha-os tomado na mesma!

De facto eu estava ali, forçada, por opção da minha mãe e não minha.

Acabei por me deitar numa cama ao lado e… adormecera. Mais tarde vem a mulher e dá-me mais comprimidos. Outra dose, tomei ainda.

Sei que me sentia viva, mas fora de mim mesma. Só me lembrava do pai da criança que eu entendia que não me podia deixar estar ali. Chorei mais ainda e só desejava sair dali para fora ou mesmo morrer!

Pela acção dos medicamentos fiquei sem noção clara do que se passava. Nem mesmo noção do tempo! Recordo ter acordado e ainda não ter saído nada!

A minha amiga foi-me visitar. Pedi-lhe para telefonar ao pai do bebé e lhe dissesse que eu estava ali para deixar matar o filho dele. Assim ele ficaria com as costas aliviadas, mas eu estava sofrer muito. O meu coração estava a ser arrancado e o sorriso nos meus lábios jamais seria o mesmo. Muito de mim ficava ali mesmo, com aquela criança. Sei que ele ligou depois, chorando ao telefone por e estar a sofrer. Mas era tarde!

Lembro-me que, enquanto eu estava ali a contorcer-me em dores, uma mulher entrou e saiu de imediato. Questionei-me ainda mais sobre estes actos! Eu queria ser mãe - embora sem condições – e outras, mais velhas e bem na vida, optando por matar também seres humanos no ventre. Era injusto, duplamente injusto!

Entretanto chegou a minha hora. Pânico era o que sentia. A mulher mandou-me ir para outro quarto, deitar-me na maca, abrir as pernas… As lágrimas não eram controladas.

Pediu-me par inspirar profundamente, pois ia iniciar o aborto.

Minha Nossa Senhora, eu não aguentei… Podem não acreditar, mas ainda hoje sinto o parto! Aquela mulher colocou as mãos dentro de mim e senti que puxava algo. Eu gritei fortemente, pois senti dores de morte. Eu, naqueles momentos, só desejava morrer ali mesmo para acabar com o sofrimento de uma vez.

Senti depois as minhas coxas quentes e a voz da mulher dizendo:

- O pior já está.

Mas estas palavras em nada me confortaram. Continuei a chorar. Choro ainda hoje e neste momento em que recordo o que vivi. É uma dor que não sara mais!

Por fim, a mulher levou-me de novo para a cama. Eu não via nem ouvia nada! As dores eram tantas que me senti fora e mim. Fiquei só, na minha solidão dolorosa. Senti-me muito mal, suja, inqualificável.

À noite, tive visitas: amiga, irmã, padrasto e mãe. Todos me visitaram, mas à minha mãe eu não autorizei. Não desejei que ela me visse como a estava a odiar naquelas horas! Não entendia como uma mãe pode colocar uma filha numa situação daquelas.

Sei que errei! Mas tentar “tirar o erro” é mais doloroso ainda. É um sofrimento que não gera felicidade! Não há rosto de bebé, não há nada… simplesmente dor e sofrimento carnal na hora e psicológico para a vida toda! Ninguém imagina!

... 

                                                                  (continua)

 

 Fátima G

publicado por adavviseu às 21:15

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